segunda-feira, 19 de março de 2012

Lista A :: Mensagem de Candidatura



"Decidi apresentar-me ao escrutínio dos associados do Vitória Sport Clube como candidato a Presidente da Direcção.

Não foi uma decisão fácil. O mais fácil seria ficar em casa e deixar para outros a tarefa de gerir a instituição.

Mas falou mais alto uma certeza que tenho e que julgo que todos os vitorianos têm: o que for feito logo após as próximas eleições não vai só decidir planteis e treinadores na próxima época.

O que for feito depois destas eleições decide a viabilidade futura do Vitória enquanto clube.

Com a equipa que reuni, com as capacidades que tenho e com os contactos que desenvolvi nos últimos tempos, se não me apresentasse a eleições com um projecto capaz e realista, poderia, por omissão, estar a contribuir para o arrastar de uma situação que, se não for rapidamente corrigida, poderá levar ao fim do nosso Vitória.

Portanto, não ficarei em casa. Não ficaremos em casa.
Espero que nenhum Vitoriano fique em casa e que mais uma vez, como sempre foi nosso apanágio, enfrente as dificuldades e lute por um VITÓRIA COM FUTURO!

A situação actual do Vitória
No final desta época desportiva, o passivo do Vitória poderá aproximar-se dos 20 milhões de euros.

Perante isto, a pergunta que nos devemos colocar é esta:
Tem o Vitória receitas suficientes para pagar a sua dívida e, ao mesmo tempo, sustentar o seu funcionamento?
Se nada for feito rapidamente, a resposta é não. Actualmente, o Vitória não gera receitas suficientes para as despesas que tem todos os meses e assim pode caminhar rapidamente para o precipício aonde outros clubes já caíram e de onde não saíram.

A nossa fé é tão forte que não permitiremos que algo assim possa acontecer ao nosso Vitória. Mas por muito que nos custe aceitar, a verdade é que o risco existe e é sério. Se não atacarmos rapidamente o problema e pelos flancos certos, algo grave pode acontecer.

Motivações da Candidatura
Apesar da minha curta passagem pelo Clube, a minha experiência no Vitória contribuiu muito para a decisão de me candidatar.
Hoje conheço suficientemente o clube para saber que, se conseguir unir os Vitorianos e se for capaz de os conquistar para este projecto, tenho condições para conduzir a nossa nau a águas mais seguras, fazendo com que a alegria volte a ser o sentimento dominante de quem vive o Vitória.

Serei acompanhado por um grupo de vitorianos que, como eu, conhecem bem o Vitória e apenas aspiram a servi-lo com o melhor de si e das suas capacidades.

Na gestão do Vitória, caso os Sócios assim o entendam, não contem com ilusões; mas com a verdade, por mais dura que seja;
Não contem com decisões emocionais, mas com ponderação e realismo;
Não contem com hesitações, mas com determinação;
Não contem com imediatismos, mas com planeamento estratégico de médio prazo.
Não contem com promessas, mas com empenho e resultados.
Não contem com amiguismos, mas com uma estrutura de gestão do clube que seja transparente, rigorosa e profissional sem nunca deixar de sentir o que é o Vitória e de lhe vestir a camisola.

No campo e na gestão, todos vamos ter que comer a relva.

O projecto de gestão para o Vitória
Ao votarem na minha candidatura, os associados do Vitória vão optar por um novo modelo de gestão – o de uma sociedade anónima desportiva.
Porquê?
Porque nas atuais circunstâncias é a única forma que dá segurança a quem quer que esteja disponível para investir no Vitória e o único que cria todas as condições para que esse investimento se concretize.
E o futuro do Vitória depende da nossa capacidade de captar investimento.
Mas ninguém investirá um cêntimo se não puder titular e valorizar o seu investimento, participando na gestão e nas decisões.
O que tantos e tantos exemplos nos demonstram é que, se um Clube tiver valor e potencial – sócios, espectadores, toda uma região dinâmica a puxar por si – e se as Sociedades Anónimas Desportivas forem bem geridas, elas resultam e nenhum sócio ou adepto deixa de sentir a paixão e o orgulho de sempre.

O que afasta os sócios e os adeptos não é o modelo de gestão. É a ausência de vitórias, a instabilidade, a intriga, o declínio.

E vamos precisar de arrumar a casa: honrar os compromissos de curto prazo, adequar o projecto desportivo à realidade financeira, reduzindo custos e emagrecendo e reestruturar a dívida.
Mas serenem aqueles que ainda sentem algumas reservas relativamente a esta solução. Não defendo, ao contrário da crença de alguns, a venda do Clube a alguns capitalistas que assim passariam a mandar no Vitória. O Vitória continuará a ter a sua autonomia.
Trata-se tão só de conferir autonomia e personalidade jurídica a uma equipa de futebol profissional e geri-la como um verdadeiro negócio, que já é, com objectivos simples e claros e, acima de tudo, lutar por títulos: aquilo que é, afinal, o fim último da competição.

O Vitória tem condições para se reinventar. O Vitória tem potencial para se projectar com a ambição de construir um projecto a quatro ou cinco anos que lhe permita discutir o título.

E, assim, vamos ganhar o futuro!
E assim poderemos continuar a dizer que o Vitória é nosso!"

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