segunda-feira, 11 de abril de 2011

Gabriel

O Gabriel nasceu em Agosto de 2010 com 31 semanas de gestação e com 1310 gramas de peso.

Este é o testemunho dos pais do Gabriel:

“Ser-se mãe é uma possibilidade humana,

viver a maternidade é um poder Divino”

"A nossa história começa no dia 10 de Junho de 2006, depois de 6 anos de namoro, que culminaram em casamento. Nos primeiros dois anos decidimos por nos adaptarmos à nova vida a dois e prepararmo-nos para o passo seguinte, sermos pais. Como tinha ovários poliquisticos, foi-nos dito que poderíamos ter alguma dificuldade em engravidar. Começamos a tentar em Agosto de 2008 e o positivo apareceu logo no mês seguinte. Afinal, não foi nada difícil e o que achávamos que seria o mais complicado, estava feito. Iamos ser pais. Foi um dos dias mais felizes da nossa vida. Um misto enorme de emoções invadia-nos. O tempo ia passando, o bebé crescendo e um amor desmedido desabrochava no nosso peito. Essa alegria rapidamente desapareceu, pois às 20 semanas de gravidez perdemos o nosso filho, o Tiago, o nosso primogénito. Vivemos tempos de grande tristeza, dor, revolta, incompreensão. O que fazer agora com tanto amor que tínhamos para dar, o que fazer com as coisinhas que já tínhamos, com os projectos a três?

Afinal um teste positivo não significa nada. O caminho a percorrer é longo e muita coisa pode acontecer. 9 meses depois decidimos tentar novamente, e cheios de esperança, acreditamos que desta vez sim, teríamos um filho nos braços. Mas mais uma vez a maternidade estava a ser madrasta connosco. Às 9 semanas perdíamos mais um filho. A ferida que aos poucos, estávamos a tentar cicatrizar, abriu novamente.

Mas como desistir não é o caminho para a maternidade, voltamos a tentar e 4 meses depois, um novo teste positivo. Desta vez, a felicidade era contida, o receio era enorme, pois as perdas anteriores ainda estavam bem vivas na nossa memória. Às 8 semanas uma hemorragia assombrou esta gravidez, mas com muito repouso e cuidados, tudo ia correndo bem. Às 16 semanas soubemos que iamos ser pais de mais um menino, o Gabriel, e foi desde essa altura também, que começamos a sentir os seus movimentos. O que nos dava uma renovada esperança e nos fazia acreditar que, como diz o ditado, à terceira é de vez. Tudo correu bem até às 29 semanas. Depois de 3 dias com a tensão arterial um pouco alta e sempre a aumentar a cada dia, decidimos falar com a médica que nos seguia, que nos aconselhou a fazer umas análises para despistar algum problema que pudesse existir. Já no hospital a tensão arterial normalizou e chegava o resultado das análises que revelaram uma trombocitopenia grave. Fiquei imediatamente internada, medicada para a recuperação do número de plaquetas e foi-me administrada também uma injecção para a maturação dos pulmões do Gabriel. Ficamos com algum receio, pois esta situação era um indicativo de que o nosso filho poderia nascer mais cedo. 2 semanas depois foi diagnosticada pré-eclampsia e trombocitopenia e o parto teria que acontecer o mais rápido possível. Depois de 2 transfusões de plaquetas fizeram a cesariana de urgência. No dia 17 de Agosto de 2010, pelas 16:10, com 31 semanas, nasceu o Gabriel, o nosso anjo na terra. Com 1310gr e 39cm.



Ao contrário da grande maioria dos pais, o dia do nascimento do nosso filho, não foi o dia mais feliz da nossa vida. O medo que alguma coisa corresse mal, não nos permitia desfrutar deste momento, memorável na vida de um casal. Foi imediatamente transferido para a UCIN (unidade de cuidados intensivos neonatal), onde esteve durante 39 dias. Quando entramos na UCIN pela primeira vez foi assustador. Não era assim que imaginávamos ver o nosso filho, vê-lo tão pequenino, tão frágil, vulnerável e cheio de fios, rodeado de tecnologia, era verdadeiramente intimidante. Sentíamo-nos impotentes. O som daquela tecnologia ecoava constantemente na nossa cabeça. Inicialmente, o Gabriel, estava somente com o CPAP, mas no terceiro dia de vida sofreu um pneumotorax e teve que ser drenado e ventilado durante 5 dias, durante os quais foi sedado. Fez fototerapia durante 2 dias e teve a fazer também antibioterapia. Ao 10º dia recuperou o peso que tinha à nascença. Com 9 dias de vida podemos pegar ao colo pela primeira vez e este sim, foi o dia mais feliz da nossa vida. Quando começamos a dar-lhe banho, dar o leitinho, mudar-lhe a fralda, medir-lhe a temperatura… foi quando nos sentíamos pais, no verdadeiro sentido da palavra. A evolução do nosso pequeno guerreiro era notória, de dia para dia ganhava peso. E se para os pais de bebés de termo 20g não é nada, para nós, “pais prematuros”, era motivo de grande festejo.

No dia 23 de Setembro pudemos, finalmente, traze-lo para casa. Temos todos os cuidados com o menino pois, como nos foi informado, os prematuros são mais vulneráveis a infecções, viroses…


Não podemos terminar o nosso testemunho sem realçar o profissionalismo, o carinho e empenho com que os médicos e enfermeiros da UCIN de Guimarães, sempre trataram o nosso filho.


Terão sempre um cantinho especial no nosso coração.



Agora com (quase) 6 meses de idade real o Gabriel tem 6kg e é este ser tão pequeno que nos alegra os dia e nos dá cor à vida".


http://serprematuro.com/index.php?option=com_content&view=article&id=117%3Agabriel&catid=4%3Ahistorias-prematuras#josc335

4 comentários:

  1. Esta “história” diz-me muito… muito mesmo.
    Tenho orgulho nos meus amigos… muito… muito… imenso orgulho!

    Espero que nunca passem por esta prova de fogo…mas, se tal acontecer, vai valer a pena lutar … vale sempre a pena lutar pela vida de um filho!

    ResponderEliminar
  2. Já sabem o que penso… e mais importante que isso, sabem o que sinto.

    Obrigada por terem sempre lutado pelo (e para o) Tiago, pelo bebé e pelo Gabriel!

    Beijinhos aos cinco.

    ResponderEliminar
  3. Estou muito feliz por vc...sou mae de trigemeos, nascidos com 31 semanas, estou tensa por estarem na UTI...mas entrego eles tds os dias a Deus, estao evoluindo bem , mas confesso que n e facil.

    ResponderEliminar
  4. Boa noite!
    Desde já, seja muito bem-vinda a este "Cantinho"!

    Trigémeos?!
    Isso sim, é motivo para sorrir :))
    Se conseguiu ser mãe de três crianças, de uma vez só, é sinal que tem o triplo da energia necessária para os ajudar a vencer.
    Não pode faltar um lado a um triângulo, pois não?!
    O seu triângulo ficará sempre completo e FELIZ!!!
    Tudo de bom, de triplamente bom!
    Muita força e coragem!
    Peço-lhe que nos vá informando sobre os seus bebés… estaremos a torcer por eles e por si.
    Beijinhos para todos!

    (Nota: o Gabriel é filho de uma grande amiga, considero-o um sobrinho …. que cresceu forte e saudável, ao contrário do que nos parecia que ia acontecer.
    Este menino guerreiro, venceu tudo e todos… os seus meninos também irão vencer)

    ResponderEliminar