quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Quero que saibas uma coisa


"Tu sabes como é:
se olho a lua de cristal,
os galhos vermelhos do Outono da minha janela,
se toco junto ao fogo as impalpáveis cinzas
no corpo retorcido da lenha,
tudo me leva a ti,
como se tudo o que existe:
aromas, luz, metais,
fossem pequenos barcos que navegam
em direcção às ilhas tuas que esperam por mim.

Agora,
se pouco a pouco deixares de me querer
pararei de te querer
pouco a pouco.

Se de repente me esqueceres
não me procures,
pois já te terei esquecido.

Se consideras violento e louco o vento das bandeiras que passa pela minha vida
e decidires deixar-me às margens do coração no qual tenho raízes,
lembra-te
que neste dia,
a esta hora
levantarei os braços e as minhas raízes partirão em busca de outra terra.

Mas,
se em cada dia,
cada hora,
sentires que a mim estás destinado com implacável doçura,
se em cada dia levantares uma flor nos teus lábios para me buscares,
oh meu amor, oh minha vida,
em mim todo esse fogo se reacenderá,
em mim nada se apaga ou se esquece,
meu amor se nutre do teu, amado,
e enquanto viveres
estará em teus braços
sem deixar os meus."

Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, conhecido popularmente como Pablo Neruda, poeta chileno (1904-1973).

2 comentários:

  1. Que belíssima recordação!!!Que grande Pablo Neruda!!!
    Devemos confiar naquilo quwe sentimos, mesmo quando não sabemos exactamente o que sentimos.

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  2. Boa tarde!

    Consegue transmitir sentimentos com palavras tão simples.
    É por isso que gosto tanto de "ler o Pablo"!

    Bj.

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