quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tu tens um medo



"Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno."

Cecília Meireles

4 comentários:

  1. Já que estamos em maré de poesia:

    "Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
    Mal de te amar neste lugar de imperfeição
    Onde tudo nos quebra e emudece
    Onde tudo nos mente e nos separa".

    Sophia de Mello Breyner Andresen

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  2. Fabuloso!

    Cara Palmira, a sua sensibilidade e gosto poéticos são de se lhe "tirar o chapéu"...

    (faltam 29 comentários simpáticos...LOL)

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  3. Olá, equipa do Sic Gloria Transit Mundi!
    Espero que continue tudo bem por aí.

    É fácil ter bom gosto, quando existe uma "obra" tão magnífica.

    Quanto aos comentários, estão no bom caminho ;)

    Beijinhos.

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  4. Boa tarde!

    Para lhe dar uma resposta condizente, só com a própria obra da admirável Sophia:

    "Para atravessar contigo o deserto do mundo
    Para enfrentarmos juntos o terror da morte
    Para ver a verdade para perder o medo
    Ao lado dos teus passos caminhei

    Por ti deixei meu reino meu segredo
    Minha rápida noite meu silêncio
    Minha pérola redonda e seu oriente
    Meu espelho minha vida minha imagem
    E abandonei os jardins do paraíso

    Cá fora à luz sem véu do dia duro
    Sem os espelhos vi que estava nua
    E ao descampado se chamava tempo

    Por isso com teus gestos me vestiste
    E aprendi a viver em pleno vento"

    Espero que goste!
    Beijinhos.

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