sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

No Teu Poema

1 comentário:

  1. No teu poema
    Existe um verso em branco e sem medida
    Um corpo que respira, um céu aberto
    Janela debruçada para a vida

    No teu poema existe a dor calada lá no fundo
    O passo da coragem em casa escura
    E, aberta, uma varanda para o mundo.

    Existe a noite
    O riso e a voz refeita à luz do dia
    A festa da Senhora da Agonia
    E o cansaço
    Do corpo que adormece em cama fria.

    Existe um rio
    A sina de quem nasce fraco ou forte
    O risco, a raiva e a luta de quem cai
    Ou que resiste
    Que vence ou adormece antes da morte.

    No teu poema
    Existe o grito e o eco da metralha
    A dor que sei de cor mas não recito
    E os sonos inquietos de quem falha.

    No teu poema
    Existe um canto, chão alentejano
    A rua e o pregão de uma varina
    E um barco assoprado a todo o pano

    Existe um rio
    O canto em vozes juntas, vozes certas
    Canção de uma só letra
    E um só destino a embarcar
    No cais da nova nau das descobertas

    Existe um rio
    A sina de quem nasce fraco ou forte
    O risco, a raiva e a luta de quem cai
    Ou que resiste
    Que vence ou adormece antes da morte.

    No teu poema
    Existe a esperança acesa atrás do muro
    Existe tudo o mais que ainda escapa
    E um verso em branco à espera de futuro.

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