terça-feira, 9 de agosto de 2011

Amo-te


Amo-te
de uma maneira inexplicável
de uma forma inconfessável
de um modo contraditório
Amo-te
com os meus estados de ânimo que são muitos
e mudar de humor continuadamente
pelo que já sabes
o tempo
a vida
a morte
Amo-te
com o mundo que não entendo
com as pessoas que não compreendem
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência dos meus actos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambiguidade dos factos
ainda quando digo que não te amo, amo-te
até quando te engano, não te engano
no fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor.
Amo-te
sem reflectir, inconscientemente
irresponsavelmente, espontaneamente
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
de facto não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
melhorou o pior de mim
Amo-te
com um corpo que não pensa
com um coração que não raciocina
com uma cabeça que não coordena
Amo-te
incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Amo-te
simplesmente porque te amo
eu mesmo não sei porque te amo

Pablo Neruda

4 comentários:

  1. Ai que ela anda mesmo apaixonada…
    É desta que temos casamento?

    Abraços aos dois.

    ResponderEliminar
  2. No Verão, o amor é como o pólen...anda no ar. Será?

    ResponderEliminar
  3. Eh lá, vai com calma… não é da minha autoria, foi o Pablito.

    ResponderEliminar
  4. Hum… isso não sei, cara Equipa SGTM … mas, acho que não… sou alérgica ao pólen… já ao amor…

    ResponderEliminar