terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais um texto notável do "gato" Ricardo Araújo Pereira



"Profs....a culpa é deles!

Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás.
Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam.
O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos.
Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças?
Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-la-iam usado em proveito próprio.
É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento?
Parece-me claro que não. A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento.
O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater.
Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.
Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M.
Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças.
Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta.
Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança.
Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo."

Ricardo Araújo Pereira, in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão.

Palavras para quê?!
Concordo com tudo, até com as vírgulas (piadinha privada).

6 comentários:

  1. Nem semptre é fácil esmiuçar o que o excelente e imprevisível Ricardo diz ou escreve. O seu humor é nuito subtil e a ironia ás vezes é demasiado macia. O feitiço poder-se-á virar contra o feiticeiro!

    Anónimo 1

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  2. Olá!

    Nem sempre é boa ideia esmiuçar...
    Ás vezes é tudo demasiado evidente : )

    Beijinhos.

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  3. O evidente às vezes tem um olhar muito subjectivo, mas faz bem ao ego.
    Dizer mal não é o mesmo que dizer o que está mal. A crítica, quando não é equilibrada nem justa, banaliza-se. Perde eficácia. Torna-se uma lenga-lenga. É a minha opinião, claro.
    Dizia Pablo Picasso: "Se apenas houvesse uma verdade, não poderíam pintar-se cem telas sobre o mesmo tema".
    Enfim...viva a Vida!

    Anónimo 1

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  4. Boa tarde!

    Concordo com a sua opinião e com a do Picasso.

    E a vida é para ser bem vivida ... temos que a aproveitar (bem), afinal, como certa, só temos esta!

    Beijinhos.

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  5. Às vezes a vida não se explica, vive-se!
    E perante novos desafios, que vão surgindo, podemos tomar duas opções: recusar o desafio e procurar o refúgio no que pensarmos ser mais seguro e protector ou aceitar o risco e experimentar novos papéis, situações e sensações.

    Anónimo 1

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  6. Boa tarde!

    Pior do que nos arrependermos de algo que fizemos é arrependermo-nos do que nunca tivemos coragem de fazer ... digo eu.

    Bj.

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