quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Morre lentamente quem não viaja


"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!"

Pablo Neruda

2 comentários:

  1. É a primeira vez que tomo contacto com este blog e gostaria de dizer que o achei interessante.

    Gostei particularmente deste poema de Pablo Neruda. Muito bonito. Parabéns.

    Prometo voltar regularmente para dar uma vista de olhos por aqui.

    Além do mais, vê-se aqui também muito amor a Guimarães e ao Vitória...e isso é muuuuito bom!

    Parabéns!

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  2. Boa noite!
    Muito obrigada pelas suas palavras, souberam-me muito bem, ainda para mais, vindas de um conterrâneo.
    Também acho belíssimo este poema de Pablo Neruda.
    Realmente, não me falta amor a Guimarães e ao Vitória, tenho muito orgulho em ser Vimaranense e Vitoriana!

    Tomei a liberdade de "registar" o seu "Sic Gloria Transit Mund", neste "Cantinho".
    É uma honra tê-lo cá.

    Palmira.

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