"Manuel Cajuda parte hoje para os Emirados Árabes Unidos para acertar com um clube local um contrato por uma temporada …
Foi uma surpresa para si a saída do Vitória de Guimarães?
Foi inesperada. Pensava que ia continuar e queria, mas a direcção do clube tomou uma decisão e tenho de respeitá-la. Não tenho muitos mais comentários.
O que levou a essa decisão?
Não sei. Do Vitória só posso falar muito bem. O clube é único e encontrei ali o melhor balneário da minha vida. Contava lá estar nesta altura. As justificações que me deram para a minha saída ficam comigo e não são, seguramente, aquelas que vieram a público.
Que balanço faz da passagem por Guimarães?
Tenho a consciência que fui o treinador que apresentou melhores resultados no Vitória: um terceiro lugar [2007-08] à frente do Benfica e a disputar, no último jogo, o segundo lugar. Foi coisa que nunca aconteceu, ainda para mais apenas uma temporada depois de termos subido de divisão [2006-07]. Foi a quinta equipa deste país a ir à Liga dos Campeões. Valorizámos ainda todos os activos do Vitória.
O que correu menos bem na última época? Sentiu ingratidão?
Não quero entrar por esse caminho. Tive três anos muito bons e do Vitória só falo bem. No baú ficam coisas que não foram muito boas, mas por cima dessas estão outras excelentes. O tempo será o melhor conselheiro. Vivi no Vitória, provavelmente, os melhores momentos da minha carreira. Depois, esta última época foi boa, se olharmos aos condicionalismos e a tudo aquilo que aconteceu, que nem toda a gente sabe.
Não quer contar?
Não vejo que isso seja importante. Estou só a dizer que a época foi boa. Fui encontrar há três anos o Vitória de Guimarães de "gatinhas", muito mal, por razões óbvias [descida de divisão] e não o deixei assim. Deixei o clube muito melhor, com a sua maior expressão.
Está desiludido com o futebol português? É por isso que vai para o estrangeiro?
Não. É verdade que sinto uma vontade grande de conhecer o futebol internacional, mas acabei por ser forçado a ir para o estrangeiro nesta altura, porque não estava à espera de sair do Vitória. Dois dias antes de rescindir perdi um grande contrato para treinar no Qatar, onde me ofereciam 750 mil euros anuais.
Continua a faltar um "grande" na sua carreira?
Em Portugal pensa-se que um treinador ou um jogador só é importante por ter estado num dos três "grandes". Então só haveria dez ou quinze treinadores ou jogadores importantes. Eu sou mais inteligente do que aquilo que pareço. Às vezes até convém fazer--me de parvo, porque neste país quem é parvo é bom. É verdade que nunca cheguei a um grande, mas nunca rendi vassalagem a quem quer que seja. Sempre me disseram que eu era uma pessoa desalinhada e incomodativa, mas expliquem-me porquê? Quem passa pelo Vitória de Guimarães e pelo Sporting de Braga com o brilhantismo que eu passei, acha que me vou martirizar por não ter chegado a um grande?
Por que acha que surgiu esse estigma em relação a si?
Não sei, disseram sempre que era desalinhado, que falava de mais. No futebol há uma tendência para afastar as pessoas mais velhas. Se em outras actividades afastassem as pessoas de 58 anos... Quase todos os treinadores de top na Europa são mais velhos do que eu, mas aqui em Portugal não é assim. Se fosse só uma questão de resultados, não acha que qualquer um dos meus colegas que chegou aos grandes teve piores resultados do que eu, proporcionalmente?
Fui vice-campeão do Egipto, fui terceiro classificado no campeonato de Portugal, fiquei duas ou três vezes em quarto lugar." (in Público)
Continuo a ter muita pena do rumo que o meu clube está a tomar.
Sim, o MEU clube… sou vitoriana desde que me entendo por gente, não sou como muitos que passaram a dizer-se vitorianos, apenas porque viram “nisso” uma forma de ganhar muito dinheiro, ainda mais dinheiro … não é Milocas?!
Para ti Cajuda, desejo o mesmo que para o MEU Vitória!

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